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Portugal está na cauda da Europa e do Mundo tanto ao nível
do equilíbrio das finanças públicas como do crescimento económico. A revista
“O Mundo em 2006”, edição conjunta “Vida Económica”/The Economist, estima
que, com um crescimento de 1%, Portugal terá no próximo ano o pior
desempenho entre o conjunto de 66 países dos cinco continentes analisados
pela Economist Intelligence Unit e vai registar o maior défice orçamental
entre os países da União Europeia.
Enquanto a vizinha Espanha cresce a bom ritmo, aproximando-se do ritmo de
desenvolvimento da Irlanda e dos países do Norte da Europa, Portugal vai
perdendo terreno. Os países do alargamento também estão a crescer depressa.
A Estónia e a Letónia vão atingir um crescimento de mais de 6% do PIB.
Nesta edição especial “O Mundo em 2006”, vários líderes nacionais comentam
as tendências para o próximo ano. Para António Carrapatoso, presidente da
Vodafone, os males de Portugal são “crónicos e estruturais”, surgindo
enraizados na forma como “a nossa sociedade funciona e está estruturada”.
“A rigidez da legislação laboral retira oportunidades aos desempregados e dá
os incentivos errados aos empregados, para além de não estimular o
investimento e a criação de empresas”, diz António Carrapatoso.
Este gestor afirma também que o Estado tem um peso excessivo na economia e
que, em 2006, se deveria começar por melhorar o actual sistema de incentivos
e de responsabilização.
Os maiores crescimentos
É o petróleo, estúpido. Para se ser uma das dez economias
com o crescimento mais acelerado do mundo, em 2006, é necessário muito
daquele produto ou formas de o transportar. Os preços valiosos do gás e do
petróleo vão aumentar as receitas dos grandes produtores, incluindo o
Iraque, em que a instabilidade política e a insurgência não vão evitar que a
produção de petróleo cresça cerca de um quinto. Também ajuda se se tratar de
um país pequeno – é bastante mais difícil para as grandes economias do que
para as de menores dimensões aproveitarem essas vantagens (no entanto, a
China, no décimo lugar do ranking, está a fazer o seu melhor). O forte
crescimento do Azerbeijão significa que a economia terá triplicado no espaço
de apenas uma década.
Para os importadores de petróleo, os elevados preços do petróleo representam
um dos numeros problemas que se colocam ao crescimento. Talvez o mais grave
é uma epidemia global da gripe das aves. Se o vírus asiático se transformar
numa versão que é transmissível entre os humanos, as companhias aéreas
poderão transportá-lo para os quatro cantos do mundo mais rapidamente do que
os governos nacionais o podem isolar, colocando em risco os sistemas de
saúde e pondo as economias de rastos.
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Ranking País Crescimento do PIB (%) |
|
1 |
Azerbeijão
|
25 |
|
2 |
Iraque
|
19,2 |
| 3 |
Geórgia
|
10 |
| 3 |
Chade
|
10 |
| 5 |
Sudão |
9,3 |
| 6
|
Angola
|
9,2 |
| 7 |
Qatar
|
9,1 |
| 8 |
Cazaquistão
|
8,9 |
| 9 |
Trinidade e Tobago
|
8 |
| 9 |
Turquemenistão
|
8 |
| 9
|
China |
8 |
| 12 |
Líbia |
7,6 |
Previsões de 2005, desde que não indicado em contrário.
Inflação: média à taxa annual ano a ano.
PIB do dólar calculado através da utilização das previsões para 2005 às
taxas cambiais para o dólar (PIB em PPP, ou paridade do poder de compra,
mostrado em parêntesis)
Fonte: Economist Intelligence Unit
london@eiu.com
(continua na revista) |
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