“The Economist” prevê para 2006 o maior défice orçamental entre os países da UE
Portugal com o pior crescimento do mundo

Edição de 16 de Dezembro de 2005

Destaques   Défice orçamental atingirá os 5% em 2006
    Alguns países do alargamento crescem acima dos 6%
    Peso excessivo do Estado abafa a capacidade de iniciativa dos cidadãos e das empresas
    Aumento da pressão fiscal reduz a competitividade das empresas
    Rigidez da legislação laboral agrava o desemprego

Portugal está na cauda da Europa e do Mundo tanto ao nível do equilíbrio das finanças públicas como do crescimento económico. A revista “O Mundo em 2006”, edição conjunta “Vida Económica”/The Economist, estima que, com um crescimento de 1%, Portugal terá no próximo ano o pior desempenho entre o conjunto de 66 países dos cinco continentes analisados pela Economist Intelligence Unit e vai registar o maior défice orçamental entre os países da União Europeia.
Enquanto a vizinha Espanha cresce a bom ritmo, aproximando-se do ritmo de desenvolvimento da Irlanda e dos países do Norte da Europa, Portugal vai perdendo terreno. Os países do alargamento também estão a crescer depressa. A Estónia e a Letónia vão atingir um crescimento de mais de 6% do PIB.
Nesta edição especial “O Mundo em 2006”, vários líderes nacionais comentam as tendências para o próximo ano. Para António Carrapatoso, presidente da Vodafone, os males de Portugal são “crónicos e estruturais”, surgindo enraizados na forma como “a nossa sociedade funciona e está estruturada”.
“A rigidez da legislação laboral retira oportunidades aos desempregados e dá os incentivos errados aos empregados, para além de não estimular o investimento e a criação de empresas”, diz António Carrapatoso.
Este gestor afirma também que o Estado tem um peso excessivo na economia e que, em 2006, se deveria começar por melhorar o actual sistema de incentivos e de responsabilização.

Os maiores crescimentos

É o petróleo, estúpido. Para se ser uma das dez economias com o crescimento mais acelerado do mundo, em 2006, é necessário muito daquele produto ou formas de o transportar. Os preços valiosos do gás e do petróleo vão aumentar as receitas dos grandes produtores, incluindo o Iraque, em que a instabilidade política e a insurgência não vão evitar que a produção de petróleo cresça cerca de um quinto. Também ajuda se se tratar de um país pequeno – é bastante mais difícil para as grandes economias do que para as de menores dimensões aproveitarem essas vantagens (no entanto, a China, no décimo lugar do ranking, está a fazer o seu melhor). O forte crescimento do Azerbeijão significa que a economia terá triplicado no espaço de apenas uma década.
Para os importadores de petróleo, os elevados preços do petróleo representam um dos numeros problemas que se colocam ao crescimento. Talvez o mais grave é uma epidemia global da gripe das aves. Se o vírus asiático se transformar numa versão que é transmissível entre os humanos, as companhias aéreas poderão transportá-lo para os quatro cantos do mundo mais rapidamente do que os governos nacionais o podem isolar, colocando em risco os sistemas de saúde e pondo as economias de rastos.

Ranking País Crescimento do PIB (%)
 1  Azerbeijão 25
 2 Iraque 19,2
 3  Geórgia 10
 3 Chade 10
 5 Sudão 9,3
 6 Angola 9,2
 7 Qatar 9,1
 8 Cazaquistão 8,9
 9 Trinidade e Tobago 8
 9 Turquemenistão 8
 9 China 8
 12 Líbia  7,6

Previsões de 2005, desde que não indicado em contrário. Inflação: média à taxa annual ano a ano.
PIB do dólar calculado através da utilização das previsões para 2005 às taxas cambiais para o dólar (PIB em PPP, ou paridade do poder de compra, mostrado em parêntesis)

Fonte: Economist Intelligence Unit
london@eiu.com
(continua na revista)

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