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Homo Conexus
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Livro com 10% de desconto
Homo Conexus
 
Autor: Paulo Querido
Nº Páginas: 176
ISBN: 972-8426-03-8
Dep. Legal: 120.534/98

(Preço público (papel): 9,73 Euros)
Preço com desconto (papel): 8,76 Euros Preço (digital): 4,86 Euros
Data da 1ª Edição: Mar/98
Colecção: Sociedade de informação
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Índice
Prefácio

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Com Homo Conexus a intenção é fazer o leitor mergulhar no futuro, maravilhar-se com as suas tremendas possibilidades, reflectir sobre as mudanças a que vai obrigar a Era Digital e informar-se da realidade portuguesa.
Desde as cavernas, a História do Homo é o relato da sua relação com a tecnologia. As últimas tecnologias estão a ligá-lo em rede. O que nos acontece depois de nos ligarmos à rede é o que se relata neste livro. Contando as experiências de pessoas. Do autor, de familiares e amigos e de outras pessoas entrevistadas, desde a cidadã anónima que passou um grande susto com o engate por correio electrónico a gurus da Revolução Digital. Pessoas. De várias idades e condições sociais - o que as une é o facto de se terem ligado e o que aqui se conta é o que lhes aconteceu. E o que vai acontecer aos nossos filhos.

"Andei um ano a tentar ligá-la à Internet. Ela dizia que não valia a pena, isso sim, já não era mesmo para ela, que entretanto dobrara o marco dos cinquenta - mas notava-se uma pontinha de ansiedade na voz. Não desisti e consegui que o 486 desmiolado e com software antiquado se ligasse. É difícil descrever o que se passou a seguir. Assim por alto e em tópicos: deixou queimar alguns jantares, perdeu alegremente dezenas de capítulos das telenovelas, arranjou toneladas de material para as suas aulas, escreveu mais aos familiares num ano do que em toda a sua vida (e ela escrevia imenso quando estava a tirar o curso)."

"Que teria acontecido se o Homo antepassado do Conexus ao olhar o fogo saído do raio tivesse feito o mesmo que a maioria das pessoas faz hoje a essa coisa estupidamente intitulada «novas tecnologias» (como se as tecnologias não fossem sempre novas numa Humanidade em perpétuo movimento), ou seja, lhe tivesse virado as costas com a desculpa de que «isto é demais para mim»? Felizmente o gajo era esperto."

"Amor em tê-xis-tê? Sim. Amor em tê-xis-tê, numa primeira fase. Depois, abraços em vídeo-conferência. A seguir carícias feitas em Londres e recebidas em Singapura com o apoio de sensores. Um pouco mais tarde, hologramas baratos (leia a Playboy, ligue o computador e veja a playmate no seu quarto numa representação tri-dimensional profunda). Melhoramento inevitável, logo a seguir: apalpar a playmate. Lá mais para o final do século XXI faremos amor com o apoio de boas próteses inteligentes, em vez dos actuais e rústicos artefactos a pilhas. Próteses capazes de ajudar os principiantes, as frígidas e os impotentes.
Uma maravilha, o futuro visto do passado."


Prefácio

Este é um livro que me dá enorme prazer prefaciar. Não porque é uma estreia (de ambos!) ou porque o autor me fica a dever umas gambas recheadas no Sebastião do Cantinho da Paz mas, fundamentalmente, por duas razões tão egoístas quanto essas.

Primeiro, porque vi nascer este livro. Não quando o autor me mostrou o primeiro manuscrito (em verdade não acredito que qualquer parte dele tenha sido alguma vez manuscrita) mas há uns bons dezasseis anos atrás, num quarto crepuscular em Faro, quando vi o Paulo programar um jogo de cartas num Spectrum. Nessa noite partilhámos e excitámo-nos com a parte mais imbecil desse novo e imenso poder. Mais de uma década depois, este livro continuava a escrever-se numa BBS (noutras palavras: um computador 386 ligado a uma linha telefónica) da Av. da República. Aí sim, já havíamos descoberto como utilizar inteligentemente o incomensurável poder de processamento dos CPUs. Depois veio a Internet e ainda depois a World-Wide-Web. Deixámos as nossas vidas fluir pelo Ciberespaço com uma curiosidade quase infantil. Tornámo-nos avatares, ou melhor, estendemos (na acepção de mestre McLuhan) os nossos sentidos e os nossos sentimentos através da rede de um modo demasiado natural para medirmos consequências (apesar disso ser, precisamente, a nossa profissão). E um dia, quando o Paulo me mostrou o tal manuscrito, apercebi-me subitamente que havíamos participado numa bela aventura. Certamente não tão perigosa e emocionante quanto a travessia de Angola à Contracosta de Capelo e Ivens; menos esforçada e brilhante que a viagem de Gama através do Cabo das Tormentas, mas provavelmente tão enriquecedora em termos pessoais quanto aquelas o foram para os seus autores. Sinceramente.

Dessa aventura conta este livro, e ainda bem que é o Paulo a fazê-lo, pois conhece-a como ninguém.

Segundo, porque os principais personagens deste livro não são os gurus do que quer que seja (muito embora estejam presentes) mas os nossos filhos: o Henrique, a Catarina, o Rafael Soares. E aqui não me move particular egoísmo: gostaria que o leitor tomasse consciência da importância de partilhar esta aventura que é a colonização do Ciberespaço com os seus nativos. Só assim se evitarão conflitos dolorosos e desnecessários. As relações entre as pessoas estão a tornar-se cada vez mais complexas: não só teremos de lidar com as nossas crianças (e com os outros adultos, já agora) no espaço real, como com os seus avatares, no Ciberespaço, onde os valores que regulam essas mesmas relações obedecem a uma lógica mais difusa. Talvez a mensagem mais importante deste livro seja a seguinte: não colonize, partilhe da cultura nativa!

Algumas páginas mais adiante, Paulo Querido irá dizer que este é um livro difícil de catalogar. E é-o, certamente. Não só segundo a perspectiva que o autor desenvolve, mas também na resposta a esta simples pergunta: que escrita é esta?

Objectiva e quase científica, diria, mas ao mesmo tempo impregnada de um intimismo absolutamente subjectivista. De certo modo, recorda-me o mais belo livro de Barthes, «A Câmara Clara», onde como nunca se definiu tão objectivamente a fotografia escrevendo de um modo tão pouco científico. E o esboroar de velhos paradigmas justifica, a meu ver, esta nova forma de reflectir sobre as causas e os efeitos das coisas. As experiências pessoais, quando capazes de serem comungadas (leia-se: entendidas através dos sentimentos) por um largo número de nós, tornam-se portadoras de verdades tão absolutas quanto as fórmulas quânticas. Ou seja, são suficientes até se provarem erradas :-)

dr bakali

Lisboa, 23 de Fevereiro de 1998


Índice

  • Introdução
  • O que nos acontece depois de nos ligarmos à Internet
  • Peter Pan dá-nos uma lição
  • Nativos...
  • ... naturalizados...
  • ... e excursionistas
  • McLuhan na Madeira
  • As inesgotáveis tetas das vacas leiteiras digitais
  • Ecos de desprezo por McLuhan
  • Nicholas Negroponte: "No futuro vamos ter agentes a vasculhar a net para nós"
  • O milagre do correio electrónico
  • O carteiro inteligente
  • A nova febre do correio electrónico gratuito
  • Para que usam eles o email? (ou como ser alguém no ciberespaço)
  • Um par de estalos bem dado
  • Legalizem-na!
  • Os novos caminhos do boato
  • Viagem ao mundo dos hackers
  • Aventuras de um hacker português
  • É altura de mudar de planeta?
  • Johan Helsingius: «Estados têm de proteger privacidade dos cidadãos»
  • Em busca da privacidade perdida
  • Como funciona a economia da rede
  • À espera do Grande Colapso
  • Viciados na web!
  • Sexo, mentiras e Internet
  • O mundo paralelo da pornografia
  • As ilusões dos encontros virtuais
  • As bebedeiras digitais
  • Os cegos também navegam
  • A Microsoft e nós
  • Como a Micro-soft se tornou na Macro-Media
  • O futuro português é sombrio