| Introdução
Há alguns dias precisei de indicar uma profissão para a qual a informática não fosse necessária. E, se possível, uma cujos membros fossem manifestamente avessos às novas tecnologias.
Médicos?
Não. O meu médico já anda a fazer o mapa do meu colesterol em Excel! E foi a partir de um software diabólico (que arranjou não sei onde!) que me cortou o Whisky que eu tanto gostava de beber antes do jantar…
Quando os computadores falarem, a cena vai ser assim:
«Então isto é que são horas de chegar ao trabalho?! Vá, mete lá o dedo no identificador… OK! Confere! A chegar a esta hora, tinhas mesmo que ser tu… Pronto, podes começar a trabalhar!»
Ali estava eu, na Conferência, com o Tamagotchi no bolso, meio-escondido (por vergonha) e meio de fora (por necessidade de ver o que tinha que lhe fazer!)
No fundo, o Doutor até achava que a Internet tinha algum interesse, e a mulher já o apanhara por mais do que uma vez a espreitar o site da Sexilândia em casa dos cunhados…
— Você vai preparar um pequeno documento em Word… Está na altura do Natal, há muito tráfego de correspondência, e o nosso vírus vai passar no meio da barafunda! Você vai elaborar um texto de Boas-Festas devidamente virusado… Depois, vamos meter “no sapatinho” dos nossos concorrentes um desses “animaizinhos”…
— Está na altura de tratar da nossa Casa-da-Página na Inter-Rede…
Eram assim as ordens do Doutor Azambuja:
Directas, claras e sem admitir réplica!
Mas ninguém percebeu…
O que ele queria dizer era que estava na altura de a empresa ter uma Home-Page na Internet …
E - surpresa das surpresas! - mandou instalar no Gabinete um computador multimédia de último modelo, ligado à Internet!
— Ó Jeremias, venha cá ligar-me a televisão! E traga-me mas é um telecomando, que eu com esta porcaria do rato não me entendo! - era o Chefe a dar ordens, depois de (supremo esforço!) ter conseguido accionar o intercomunicador.
— Essa corja até faz umas coisas giras! - comentava ele, à medida que o jovem lhe ia mostrando as páginas da concorrência. |