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Anos 40 BARBIE?
É a boneca mais desejada pelas meninas e a modelo mais invejada pelas mães. Rodeada de amigos, a boneca já quarentona é hoje um caso sério de sucesso de vendas
Por Maria Manuel Serina
Em cada segundo vendem-se duas Barbies em algum lugar do mundo. Em 1996 foramvp5.jpg (3193 bytes) mais de 800 milhões de bonecas em 150 países. Nos Estados Unidos, cada menina tem, em média, nove Barbies em casa. As portuguesas ainda não conseguem arrebatar mais de duas, mas a boneca-manequim americana é como uma amiga.
A Barbie nasceu da observação atenta de Ruth Handlers, que via a filha passar horas a fio a vestir e a despir as suas bonequinhas de cartão e se apercebeu de que as bonecas da altura eram todas bebés. Ou seja, as meninas, e a sua em particular, não tinham uma boneca que as inspirasse a pensar no que gostariam de ser quando crescessem. Até que teve a ideia de fabricar uma boneca de plástico que aparentasse uma idade entre os 16 e os 20 anos, e que as meninas pudessem vestir, pentear e transformar. Sem saber, criara o mito. E a menina ganhara uma boneca com o seu nome, Barbie.
A reacção dos retalhistas à boneca na Feira Anual do Brinquedo de Nova Iorque não foi para brincadeiras. Eles não gostaram. Achariam a boneca-manequim com curvas a mais para a altura? Não foi isso, decerto, que pensaram as meninas americanas quando a viram nas prateleiras. O sucesso foi imediato. No primeiro ano foram lançadas duas versões da Barbie n.º 1 (uma loura e outra morena) e o modelo n.º 2. No ano seguinte surgia o amigo Ken, para que ela não se sentisse sozinha. Desde o seu nascimento que a Barbie se converteu na boneca mais vendida em todo o mundo, com uma popularidade que ultrapassa o mundo dos brinquedos, tornando-se quase num fenómeno sociológico. O sucesso foi tal que as vendas da Barbie só pararam de crescer em 1995, 36 anos após o seu lançamento.

O guarda-roupa mais cobiçado do mundo
O seu sucesso não foi conseguido por acaso. Por detrás de cada novo modelo — e em cada ano criam-se cerca de 150 modelos diferentes de bonecas Barbie, incluindo os seus familiares e amigos — está uma equipa de mais de 500 especialistas que trabalham na Mattel, em Los Angeles. Também o seu processo de fabrico não é simples e requer mão-de-obra especializada. O corpo é moldado por um sistema de injecção de plástico, mas o rosto é pintado à mão, com várias tonalidades de tinta, através de máscaras que se aplicam sucessivamente, até se conseguir obter as cores reais. Ao longo dos seus 40 anos de vida, a Barbie já teve mais de 500 maquilhadores. A cabeleira loura é implantada à mão, com máquinas de coser.
E o guarda-roupa? Quem não gostaria de poder ter no roupeiro toilettes desenhadas por Kenzo, Christian Dior, Chanel e até Augustus? Pois é, a Barbie tem. E, além desses modelos exclusivos, também tem peças mais práticas, desenhadas pela equipa de estilistas da Mattel, que corre as principais feiras de moda do mundo (Paris, Milão, Roma, etc.) para vestir a sua coqueluche de acordo com as principais tendências da moda.
Comparável à paixão que a Barbie desperta entre as crianças de todo o mundo foi o interesse e a atracção com que os principais designers da moda se dedicaram a enriquecer o seu guarda-roupa. O modelo original que surgiu em 1959 era uma manequim «vestida à última moda», como dizia o primeiro catálogo. A partir daí, os talentos da moda não resistiram à tentação: jóias, penteados, maquilhagens e vestidos foram especialmente concebidos para a boneca mais famosa de todos os tempos. Desde 1959, foram criados cerca de um milhão de vestidos para a Barbie e o seu grupo de amigos. E sapatos já foram mais de um milhão.

Os anos passam... e ela rejuvenesce
Com o passar dos anos, a imagem da Barbie foi evoluindo. Não, não estamos a falar de rugas nem de cabelos brancos. Afinal, a Barbie é uma boneca! Foram mudanças subtis, centradas principalmente na linha do rosto. Foi necessário adaptar a Barbie aos novos tempos. A sua imagem séria e ingénua, de olhar profundo, cara arredondada e boca fechada, passara à história. Em 1967 a Barbie fazia a sua primeira plástica. As mulheres conquistavam o seu espaço na sociedade, sentiam-se mais seguras, e a Barbie também. O sorriso, que até então só deixava adivinhar, abriu-se e o seu olhar tornou-se mais directo. Dez anos mais tarde, uma nova plástica. A Barbie torna-se ainda mais moderna, dinâmica, independente e cheia de energia e o seu sorriso, esse, abriu-se finalmente, deixando ver uns dentes brancos perfeitos. Uma mulher completamente emancipada!

O símbolo da mulher moderna
A Barbie é mais do que uma boneca. É o símbolo de um mundo real. «Mas também nunca foi uma estrela de cinema, mas sim uma boneca com quem as meninas se identificam», explica Miguel Borrega, director-geral da Mattel em Portugal. É por isso que as meninas não lhe resistem. Ela tem casa, mobiliário, vestuário, animais de estimação e até amigos. Ela representa, no fundo, aquilo que todas as meninas querem ser e sabe agradar a todas: às mais «glamorosas», para quem a imagem é muito importante, e às mais dinâmicas, que sonham vir a ser bem sucedidas na sua carreira. Assim, durante os anos 60, a Barbie começou por ser bailarina, universitária, hospedeira e até mesmo astronauta. Na década de 70, e seguindo as pisadas das verdadeiras, a Barbie transformou-se numa bem sucedida médica e em atleta olímpica. Nos anos 80 volta a ser astronauta, repórter de televisão, veterinária, oficial do Exército e embaixadora da UNICEF. Na última década do milénio, a Barbie apresenta-se como candidata à presidência, diplomata, piloto da Força Aérea e executiva.
A Barbie não é só uma mulher dinâmica, que trabalha. Também tem tempo para os amigos. E diga-se que a Barbie tem amigos de longa data. O namorado, por exemplo, faz parte da sua vida há 39 anos. Uma boneca fiel! O Ken surgiu só em 1969, conseguiu o corpo musculado que lhe conhecemos hoje e, quem sabe?, talvez por estar mais seguro de si, ganhou coragem para trocar as primeiras palavras com a Barbie! Mas como uma mulher moderna, a vida da Barbie não se esgota no namorado, Ken. Ela tem um grande grupo de amigos, que a acompanham para todo o lado: desde a melhor amiga, Midge, à irmã mais pequena, Skipper, à prima Francie, aos gémeos Tutti e Todd e, não menos importante, à sua primeira amiga de raça negra, Christie, lançada em 1968. Terá sido mera coincidência ser lançada no mesmo ano em que Martin Luther King foi assassinado?

O objecto de culto
A estreia da Barbie no mundo do cinema aconteceu recentemente. Scarlett O’Hara, Marilyn Monroe e Audrey Hepburn fazem parte da colecção de lendas de Hollywood, que pretende responder ao apetite dos inúmeros coleccionadores, de todas as idades. E foi posto todo o cuidado na criação destas bonecas. No caso da Barbie-Marilyn, o seu vestido é uma cópia fiel do usado em O Pecado Mora ao Lado — desde o delicado plissado da saia às originais tiras entrecruzadas no peito.
O mundo fascinante da Barbie integra também as inúmeras bonecas de colecção e os clubes de fãs. Só em Portugal, o clube de fãs da Barbie recebe semanalmente mais de 500 contactos. Há mesmo mães que inscrevem as filhas ainda antes de elas nascerem!
Ruth Handlers nunca sonhou que a Barbie pudesse vir a ser a principal fonte de receitas da Mattel. Mas é. Em 1997 as vendas já ascendiam a 360,7 milhões de contos! A boneca representa 55% dos lucros da Mattel, mas as suas vendas começaram a baixar em 1994. Não admira, por isso, que Wall Street tenha os olhos postos em Jill Barad, a superexecutiva que comanda a Mattel desde 1997. Ela sabe que o negócio dos brinquedos, no qual trabalha desde 1981, não é para brincadeiras. Mas ela também não.

Os anos dourados

1959. Ruth Handlers cria a boneca Barbie.
1965. Ainda antes da primeira mulher ir ao espaço, surge a Barbie astronauta, ajudando as meninas a ambicionarem chegar mais longe do que as suas mães. Foi a primeira Barbie associada ao mundo do trabalho. Nos anos seguintes foram lançadas bonecas com outras profissões. O mercado conheceu então uma Barbie doutora, veterinária, bailarina e hospedeira.
1976. Uma Barbie é colocada numa cápsula hermeticamente fechada, para esperar a passagem do século. Aqueles que celebrarem o tricentenário norte-americano, em 2076, conhecerão a boneca mais célebre do século xx.
1984. Quando comemora o seu 25.º aniversário, a Barbie chega a Portugal.
1989. A Mattel lança nos países de Leste a «Barbie Amizade», depois da queda do Muro de Berlim.
Augustus cria um modelo exclusivo para a Barbie na comemoração do seu 5.º aniversário em Portugal. Venderam-se mais de 10 mil unidades deste modelo.
1992. A Barbie viaja no Discovery com um fato espacial da NASA.
Abre-se a primeira boutique Barbie nos armazéns de brinquedos FAO Schwartz, na Madison Avenue de Nova Iorque.

1994.

Quando celebra 35 anos, a Barbie esboça as primeiras palavras em português, com o modelo «Falemos Tu e Eu»

1996.

São apresentadas em Portugal as bonecas «Barbie de Colecção».

1997.

Vendem-se em Portugal 700 mil bonecas Barbie.

1998.

A Barbie EXPO 98 é
a primeira boneca produzida exclusivamente para Portugal.

1999.

Celebração do 40.º aniversário da Barbie. Lançamento da «Barbie Estrela de Rock», em colaboração com a Sony, e da Barbie «Última Geração».
Jill Barad, uma Barbie de carne e osso
vp6.jpg (6053 bytes)Ela é a pessoa ideal para representar a Barbie. «Glamorosa» e cheia de energia, aos 47 anos Jill Barad prometeu voltar a tornar a Mattel interessante para os investidores, mas ainda não conseguiu. Começou por pôr ordem na casa e depois partiu para as compras. A primeira companhia a que deitou a mão foi a Tyco Toys, a terceira maior empresa de brinquedos dos Estados Unidos.
A última foi a segunda maior companhia de entertainment na área de multimedia, a Learning Company.
Nos últimos 10 anos a Mattel mais do que triplicou as suas vendas, mas viu os seus lucros de exploração caírem a pique. Para conseguir o crescimento consecutivo das vendas, a sua receita era entupir os retalhistas com os seus brinquedos. Mas, no ano passado, o Toys ‘R’ Us, o segundo maior retalhista de brinquedos, atrás da Wal-Mart, disse «não» aos stocks. Foi uma surpresa que estragou os planos de Jill Barad. Mas não se deixou abater. Levou a Barbie a novos mercados (criando versões locais) e lançou a «Barbie Última Geração», que os retalhistas admitem estar a ajudar nas vendas.
Jill Barad entrou na Mattel como gestora de produto em 1981 e chegou a chefe executiva em 1997. Quem a conhece diz que ela conseguiu quebrar a barreira de vidro, mantendo uma família e a feminilidade, mas, na realidade, Jill tem um marido que a substitui em casa sempre que é preciso. Só assim lhe foi possível perder mais tempo a pensar no futuro da Barbie do que no dos dois filhos.
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