Fracassos de
Marketing
Menosprezaram hábitos culturais como a EuroDisney ou o
valor de um símbolo como a Coca-Cola ao substituir a velha fórmula do seu produto.
Mudaram as regras de convivência com os distribuidores, como o perfume Black Pearls, ou
esqueceram que uma promoção não deve oferecer um prémio melhor que o produto a
promover, como a Hoover. São seis casos de insucesso a não repetir
Por: Robert F. Hartley
Os erros de gestão
são inevitáveis. Não há forma mais eficaz de melhorar a performance das empresas do
que aprender com os próprios erros. Essa é a única certeza de não cometer duas vezes o
mesmo erro, o que faz com que o funcionamento futuro seja fortalecido.
O que é realmente grave é apercebermo-nos de que muitos erros semelhantes são cometidos
diversas vezes. A prevalência de alguns deles faz-nos pensar até que ponto é que a
tomada de decisões melhorou ao longo das décadas.
O sucesso das empresas não é o resultado de uma gestão sem erros, mas depende de uma
actuação rápida e eficaz, capaz de enfrentar os problemas, que, infelizmente, não se
corrigem a eles próprios. É imperativo que as estruturas das empresas sejam
suficientemente flexíveis para que qualquer mudança represente um novo desafio e uma
abertura a novas oportunidades, e não uma ameaça ao confortável «estado das coisas».
Apesar de todas as empresas cometerem erros, as que possuem uma gestão agressiva e sempre
alerta caracterizam-se pelas seguintes acções, ou reacções, perante as adversidades:
A identificação rápida de quaisquer erros ou problemas emergentes;
A determinação cuidadosa das causas dos problemas;
A avaliação e selecção de acções correctivas alternativas, tendo em conta os recursos e as restrições da empresa;
A instauração da acção correctiva adequada, que pode ter consequências a nível de um produto, de um departamento ou da empresa como um todo;
A capacidade de não cometer o mesmo erro duas vezes.
A lentidão no reconhecimento dos problemas emergentes leva-nos a pensar
que a gestão é incompetente, ou que os controlos não foram estabelecidos de forma a
fornecerem um feedback em tempo útil acerca do funcionamento da empresa. Esperar meses
antes de investigar ou tomar qualquer tipo de providências pode conduzir a uma perda
permanente para a empresa. Mas a verdadeira incompetência reside em não ter a capacidade
de identificar os problemas e as suas causas. Só a partir daqui é que se podem definir
as acções correctivas necessárias, que deverão ser realizadas da forma mais prudente e
objectiva possível.
No que concerne os erros de gestão, é pertinente ter em conta o seguinte:
Até as empresas mais bem sucedidas cometem erros, mas sobrevivem, desde que mantenham um balanço positivo entre os sucessos e insucessos;
Os erros podem ser instrumentos poderosos de aprendizagem pela experiência, de forma a evitar erros semelhantes no futuro;
Qualquer empresa pode passar por momentos difíceis e ter, mesmo assim, capacidade de reverter a situação, desde que nunca desanime.
Eis alguns casos recentes de insucesso em diversas empresas reconhecidas internacionalmente, que falharam em termos de definição da estratégia de marketing, normalmente devido à subvalorização de algum dos elementos do mix de marketing que é constituído pelos quatro p, ou seja, produto, preço, comunicação (promotion) e distribuição (placement) e que enfrentaram, ou estão a enfrentar, momentos de verdadeiro desespero.
EuroDisney Ignorar a Cultura.
Ignorar a cultura. Rodeada de expectativas, a EuroDisney abre as suas portas em Abril de
1992, em Marne-la-Vallee, próximo de Paris localização escolhida entre as 200
possíveis na Europa. O sucesso parecia assegurado para este investimento de 814 milhões
de contos. Afinal, as Disneylands na Florida e na Califórnia e, mais recentemente, no
Japão eram exemplos de sucesso. No entanto, todas as expectativas risonhas se
transformaram em desilusões, que chegaram a pôr em dúvida a própria sobrevivência do
empreendimento. |
Coca-Cola O Regresso da Velha Fórmula.
Em Abril de 1985, o presidente da Coca-Cola, Roberto Goizueta, anunciou a decisão de,
após 99 anos, melhorar o sabor original da Coca-Cola, utilizando uma fórmula mais
adocicada, a New Coke. A decisão foi uma reacção ao abrandamento do crescimento das
vendas, entre 1976 e 1979, de 13% para 2%. As causas foram as campanhas agressivas da
Pepsi. Primeiro foi a Pepsi Generation, que cativou a imaginação dos baby boomers, com o
seu idealismo e juventude. Em seguida, surgiu o Pepsi Challenge, no qual eram realizados
testes «cegos» de comparação de sabores e que demonstraram a preferência dos
consumidores pela Pepsi. Esta campanha conduziu a um aumento da quota de mercado da Pepsi
de 6% para 14%. A Coca-Cola reagiu, conduzindo os seus próprios testes, mas os resultados
não contrariaram os obtidos pela Pepsi. O problema, consideraram os responsáveis da
empresa, estava no próprio sabor do produto. Utilizando painéis de consumidores
chegou-se a um novo paladar, mais doce e menos gaseificado. A decisão mais controversa
foi relativa à coordenação entre a nova fórmula e as práticas anteriores. A opção
foi a substituição da Coca-Cola clássica.
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Elizabeth Taylor Más Relações com os
Distribuidores À Más relações com os distribuidores. Elizabeth Taylor é
mundialmente conhecida pelos seus filmes e pela sua vida amorosa. Recentemente, passou a
ser conhecida pelos seus perfumes, o primeiro dos quais, Passion, foi produzido e lançado
pela Elizabeth Arden, uma divisão da Unilever, em 1987. A utilização do nome de uma
celebridade e a sua presença promocional aumentaram a procura de tal forma que foram
produzidos mais dois perfumes, White Diamonds e Fragrant Jewels, igualmente sucessos de
vendas. Todos eles eram apenas comercializados em espaços comerciais de maior prestígio,
tais como Dayton Hudson e Bloomingdales. |
Pepsi Problemas na América Latina.
Após três tentativas falhadas, em 1994 a Pepsi, liderada por Roger Enrico, entrou no
terceiro maior mercado de refrigerantes do mundo, o brasileiro. Desta vez, a empresa
planeou campanhas publicitárias mais agressivas e recorreu a um maior número de
engarrafadores locais. O principal era a Buenos Aires Embotelladora (Baesa), empresa que
assumiu a seu cargo a maior parte do engarrafamento, do marketing e da distribuição. O
director executivo da Baesa era conhecedor do mercado e o seu relacionamento com a Pepsi
não era recente, visto que tinha um dos franchisings de engarrafamento da PepsiCo. em
Porto Rico e era o «franchisado» exclusivo em Buenos Aires. |
Hoover Promoção Demasiado
Generosa.Promoção Demasiado generosa. Em Agosto de 1992, a Hoover Limited, a
subsidiária britânica da Maytag, lançou a seguinte promoção: quem adquirisse
aspiradores Hoover, antes do final de Janeiro de 1993, num montante superior a 30 contos
ganharia bilhetes grátis para viagens à Europa. Se o montante excedesse 77 contos,
ofereceria viagens para Nova Iorque e Orlando. O resultado foi uma explosão de consumo de
produtos da marca, porque o valor das viagens excedia o que tinham que gastar nas compras.
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Snapple Uma Compra para Esquecer. Uma
compra para esquecer. No final de 1994, a Quaker Oats, comercializadora de bebidas e
artigos de mercearia (cereais de pequeno-almoço, massas, produtos congelados, entre
outros), pagou 314,5 milhões de contos para adquirir a Snapple Beverage (produtora de
bebidas com aroma de frutas não carbonotadas e ice tea). Com a compra, previa-se que as
vendas da divisão de bebidas iriam atingir 370 milhões de contos, cerca de um terço do
total das receitas da Quaker Oats. |
Condensado de Marketing Mistakes and Successes, de Robert F. Hartley. © 1998 by John Wiley & Sons. Publicado com a permissão de John Wiley & Sons. Todos os direitos reservados. Adaptado por Raquel Fidalgo.