5 modas(e panaceias) em que não deve cair
As novas teorias de gestão podem ser traiçoeiras se aplicadas às cegas. É possível
evitar algumas armadilhas e erros do passado. Use apenas o melhor do passado e do presente
na sua gestão. Como dizia Shakespeare, «o equilíbrio é tudo»
Por: Florence M. Stone
John
foi incumbido por Bea de desenvolver um importante projecto, no seguimento do esforço da
empresa em dar mais responsabilidades aos empregados. O projecto deve ser apresentado
amanhã e John está a terminá-lo. No entanto, receia entregá-lo a Bea mais cedo, para
não a intimidar.
Isto é-lhe familiar? As recentes tendências da gestão trazem grandes promessas para
melhorar a criatividade, comunicação, produtividade e motivação dos empregados.
Contudo, estas mesmas tendências podem causar ou exacerbar problemas mais do que
resolvê-los.
O gestor que atribui maiores responsabilidades a empregados que não possuem conhecimentos
para tomar as decisões certas, que forma equipas que apenas gastam o tempo dos
empregados, sem produzirem quaisquer resultados, que desenvolve e depois não aplica novos
valores da empresa, obterá como resultado empregados desiludidos e cínicos.
As grandes tendências da moda não têm todas as respostas. Grande parte dos princípios
da gestão usada no passado continuam a ser aplicados. E são estas técnicas que podem
evitar que os conceitos da moda resultem em fracassos.
Por exemplo, equipas multifuncionais trabalham melhor com o espírito de equipa que os
gestores desenvolveram no passado nas reuniões de departamento. Os valores da empresa
terão maior sucesso junto dos empregados se apelar às técnicas usadas no passado para
atingir objectivos. Redes de trabalho internas podem ser criadas usando as técnicas de
gestão que são usadas há décadas para construir alianças externas e redes de
contactos no exterior.
A arma secreta consiste em misturar o melhor de ontem e de hoje, combinando as mais
recentes tendências empowerment, trabalho em equipa, gestão da mudança, novas
tecnologias de comunicação, valores da empresa, redes internas com os métodos
tradicionais. É este o equilíbrio que o gestor deve atingir para ser bem sucedido.
Empowerment
Empowerment é uma das mais populares buzzwords dos anos 90. Porém, as pessoas
continuam a confundi-lo com outro velho método de participação: a delegação. Esta
significa pedir aos empregados que executem uma tarefa específica em seu lugar.
Empowerment é dar aos empregados as guias sobre o que é necessário fazer, mas
deixá-los decidir a execução.
Embora o empowerment dê claramente mais poder aos empregados, os papéis e as
dificuldades dos velhos e dos novos métodos são muito similares. Um problema subsiste:
muitos gestores prometem delegar e depois fazem tudo. Da mesma forma, prometem dar mais
poder aos outros, e depois não abdicam.
Outro problema é que não se pode delegar uma tarefa a quem não esteja habilitado para a
executar. Isso conduz ao falhanço e ao desapontamento de ambos os lados. Darla, a
representante do serviço de clientes numa companhia de artigos de papelaria, preparou um
contrato para um comprador oferecendo preços tão baixos que, na realidade, a sua
companhia iria perder dinheiro em cada compra. Darla não tinha os conhecimentos mínimos
necessários para fazer este contrato
Porque os problemas são muito semelhantes, os gestores que aprenderam no passado a
delegar estão hoje preparados para aplicar ao empowerment as lições que aprenderam. É
necessário aprender a investir nos talentos e conhecimentos das pessoas. Assegure-se que
os empregados estão preparados para o empowerment. Depois confie neles para fazerem o
trabalho perfeito. Dará uma boa ajuda se for explícito nas suas instruções. Tal como
se providenciar toda a informação, incluindo os objectivos. Por outro lado, prepare os
seus empregados para assumirem novas responsabilidades. Deixe-os habituarem-se à ideia.
Trace a direcção, guiando-se pelas necessidades do cliente e pelos objectivos da
companhia.
Partilhar a liderança vai além da atribuição de poder e é um processo em que todos
ganham. Os empregados ganham mais controlo sobre o seu trabalho e os gestores ficam
libertos para desenvolverem novas áreas de negócio.
Contudo, os empregados precisam de ser ensinados antes de assumirem funções de
liderança e alguns gestores pagam mais aos seus empregados para partilharem
responsabilidades de liderança, e depois continuam a gerir com mão de ferro.
A melhor solução é procurar o equilíbrio entre o autoritarismo e a participação.
Empregados que tenham menos responsabilidades ou experiência devem beneficiar duma
liderança mais autoritária. Em outras situações, os empregados ficarão mais motivados
e comprometidos se lhes derem mais responsabilidades.
Stress
Estes são tempos de grande stress para os empregados, em que não é fácil mantê-los
motivados. O downsizing obriga-os a trabalharem mais pelo mesmo salário, com a ameaça de
perderem o emprego a pairar sobre eles.
No passado, as empresas preocupavam-se mais com o reconhecimento e com as oportunidades de
carreira. O enriquecimento da função e o redesenho da função eram duas formas
encontradas pelos empregadores para prevenir a desmotivação ou o desgaste dos
empregados. Eles acreditavam que transformando o trabalho num desafio isso daria nova
energia aos empregados. Mais recentemente, os empregadores encontraram novos métodos como
o empowerment e o trabalho em equipa. Também recorreram a recompensas monetárias.
Estas iniciativas podem ajudar, mas não respondem a todas as perguntas. A razão: hoje,
alguns dos requisitos mínimos da satisfação no trabalho foram esquecidos. O downsizing,
por exemplo, destruiu a segurança no emprego. E o empowerment ou o trabalho em equipa
não compensam o medo de perder o emprego. Motive-os.
Esclareça qualquer receio sobre segurança do emprego ou alterações no salário ou no
status. Assegure um feedback regular, evitando preocupações desnecessárias sobre a
performance no trabalho. Envolva-os em decisões que afectem o seu trabalho. Da mesma
forma, dê-lhes tarefas que lhes ofereçam oportunidades de aprender e fazer coisas novas.
Certifique-se de que os empregados têm os recursos de que necessitam para trabalhar para
prevenir a frustração. E não se esqueça de os elogiar publicamente todas as
pessoas gostam de ser reconhecidas.
Independentemente daquilo que faça, a mensagem será sempre a mesma: preocupe-se com os
seus empregados.
Lealdade
No passado, as empresas não só ofereciam um emprego para a vida como oportunidades de
progressão na carreira. Nos tempos mais recentes, a lealdade tornou-se uma espécie em
vias de extinção no mundo dos negócios. As ondas de downsizing ajudaram em muito.
Mas reconhecendo os efeitos perversos da elevada rotatividade dos empregados, as empresas
começam a esforçar-se para restabelecer a lealdade destes. Para limitar os efeitos
negativos do downsizing, por exemplo, elas usam o outplacement para despedir empregados e
aconselhar os que ficam. Mas isto é apenas o início.
As empresas estão a instituir um processo de três etapas para recuperar a lealdade. O
primeiro passo é desenvolver relações de partenariado com os empregados dando-lhes
maiores responsabilidades. Em segundo lugar, oferecem programas de remuneração e
benefícios que dão aos empregados uma participação no negócio. Finalmente, as
empresas estão a trabalhar no aumento da empregabilidade dos trabalhadores,
providenciando formação que lhes permita encontrar um novo emprego.
No entanto, maiores responsabilidades de gestão não eliminam o receio dos downsizing. Os
programas de remuneração e de benefícios reflectem-se na folha de salário, mas os
empregados procuram algo mais que o dinheiro. E os downsizing são muitas vezes
acompanhados por cortes nos orçamentos de formação.
Para restabelecer a lealdade deve ajudar os empregados a planear os seus objectivos de
carreira e a encontrar o melhor caminho para os atingir; procurar atribuições que os
ajudem a progredir na carreira; promover a partir de dentro.
Mudança
Hoje, a única certeza nos negócios é a mudança. As empresas têm de dar resposta a
um fluxo constante de tecnologias emergentes, novos concorrentes, clientes exigentes e
pouco fiéis e novos métodos de gestão. As melhores companhias são aquelas que investem
na sua melhoria contínua através da mudança.
No passado, eram os gestores de topo que tinham as ideias e que davam as ordens para a
mudança. Os gestores intermédios ficavam encarregues de as implementar. Para conseguir o
apoio dos empregados, estes gestores envolviam-nos no processo. A regra mais importante
para estes gestores era comunicar, comunicar, comunicar.
Actualmente, a participação dos empregados nos processos de mudança é mais envolvente,
pois, muitas vezes, são eles que a lideram. Mas as chaves para ter sucesso na
implementação da mudança continuam as mesmas. Os líderes de equipas devem ter uma boa
capacidade de planeamento, de comunicação, de previsão e de follow-up talentos
que os gestores do passado usavam para implementar a mudança.
Se está a implementar a mudança através de equipas, deve conseguir primeiro o apoio dos
gestores de topo. Depois, encontre a mistura ideal de pessoas para a equipa. Precisará de
pessoas pragmáticas, capazes de resolver problemas para complementar os cérebros mais
criativos. Determine os objectivos, os recursos e os prazos para as diversas iniciativas.
Explique quem, o quê, onde e, especialmente, o porquê da mudança. A chave do sucesso é
a mesma do passado: comunicar, comunicar, comunicar.
Isso ajudará a ganhar etapas rapidamente. Melhorias visíveis ajudarão a convencer
outros para a necessidade da mudança. Faça como os gestores do passado e esteja
disponível para ouvir e registar as preocupações dos resistentes, enquanto mantém os
outros envolvidos.
Outro conselho: escolha cuidadosamente a primeira etapa. Introduzir lentamente a mudança
pode fazê-la passar despercebida, mas dará tempo aos renitentes de se prepararem.
Nem todas as ideias de mudança serão boas para todos. Acompanhe os progressos da
iniciativa. Se os resultados não aparecerem, poderá ter de cancelar os esforços. Se o
fizer, seja franco sobre as razões que o levam a matar o projecto. Não esconda o que se
passou, pois corre o risco de não conseguir liderar outra iniciativa semelhante.
Valores
Os empregados precisam de valores que os auxiliem a guiarem o seu comportamento. Em
organizações onde os empregados tenham maiores responsabilidades, estes valores vão
ajudá-los nos processos de decisão. Em empresas com valores sólidos, os empregados
trabalham em direcção aos mesmos objectivos.
O problema é que em muitas companhias existe um fosso entre os valores estabelecidos e a
prática. «Façam o que eu digo e não o que eu faço», parece ser uma atitude
frequente.
Apesar do desenvolvimento dos valores explícitos da empresa serem relativamente recentes,
a sua função não é. Os gestores sempre traçaram os objectivos que os empregados
deveriam prosseguir. Os valores são objectivos que as organizações actuais definem para
os seus empregados para concretizarem a sua estratégia.
E os problemas do passado continuam a registar-se no presente. Para transformar os valores
em modelos de comportamento para os empregados é necessário explicar-lhes por que é que
são importantes. Empregados que não entendam a sua importância não os seguirão.
Por outro lado, explique-lhes como os valores e os objectivos da empresa se relacionam com
as suas responsabilidades específicas. Finalmente, deve recompensar os empregados que
sigam os valores, porque isso reforça a sua importância.
Os empregados não se esforçarão por respeitar os princípios da empresa se virem que o
chefe os ignora. Outra armadilha em que não deve cair é a de ser o único gestor que
leva os princípios da empresa a sério. Em vez de ser olhado como herói poderá ser
apontado como um imbecil. Certifique-se de que outros gestores estão a cumprir a sua
missão.
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Condensado de The Managers Balancing Act, de Florence M. Stone. © 1998 by Amacom. Todos os direitos reservados. Adaptado por Maria Manuel Serina.
Florence M. Stone tem mais de 20 anos de experiência como escritora e editora da American Management Association, tendo sido responsável ao longo da sua carreira pela edição de inúmeras newsletters da AMA. Em 1995, a autora publicou The High-Value Manager.