Bill Gates, o fundador da Microsoft, conduzia a sua empresa na
direcção errada. Enquanto isso, a Nestcape guiava milhares de pessoas pela Internet.
Quando há dois anos percebeu que estava a ficar para trás, carregou a fundo no
acelerador, tentando diminuir a vantagem da Netscape. Durante este ano a empresa deverá
ultrapassar a rival, que outrora dominava o mercado
Bill
Gates, o fundador da Microsoft, adormeceu a conduzir. Uma empresa pouco conhecida guiava
milhares de pessoas pela Internet enquanto a empresa mais poderosa de software do mundo
percorria o caminho errado. Gates e a sua empresa tinham de carregar a fundo no acelerador
para apanhar a Netscape, que levava vantagem na corrida pelo ciberespaço.
Pela primeira vez, o rei do software teve a visão errada. Foi necessário que outros
dentro e fora da Microsoft lhe mostrassem a luz. Quando Gates a viu tudo fez
para não ficar para trás na corrida. Se a tecnologia estava à venda, Gates comprava-a.
Se não, a Microsoft desenvolvia-a. Nada nem ninguém se atravessara no caminho da empresa
por muito tempo: os rivais ciumentos, os negócios abortados, nem mesmo as longas batalhas
travadas com a Comissão de Comércio Federal e com o Departamento de Justiça pelas
alegadas práticas anticoncorrenciais. Podem-no ter atrasado um pouco, mas num braço de
ferro com o rei do software até o Governo pestanejava.
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Numa palestra na Florida em Março de 1993, Bill Gates partilhava com a multidão a sua
visão do futuro e o papel que a sua empresa desempenharia. Referiu-se vezes sem conta às
auto-estradas da informação e ao modo como as pessoas iriam ter acesso à informação
ao interagirem com as suas televisões. Mas não mencionou, uma vez só que fosse, a
Internet.
A ideia por detrás da televisão interactiva era a de que as pessoas podiam apontar um
telecomando a uma caixa por cima dos seus aparelhos de televisão e ter acesso a
informação Online, encomendar filmes ou CD, planear uma viagem, jogar, pagar contas,
depositar cheques nas suas contas bancárias ou apenas ver televisão. Gates sabia que a
fonte de receitas provenientes de software de desktop iria um dia secar e acreditava que o
futuro da Microsoft consistia no desenvolvimento de software para a televisão
interactiva.
Tão confiante estava Bill Gates que esta auto-estrada da informação era o caminho a
tomar que concordou em gastar mais de 18,7 milhões de contos em 1993 em investigação e
desenvolvimento. Gates começou também à procura de sócios para concretizar a sua
ideia. Alguns meses antes de ir a Orlando, reunira-se com Michael Ovitz, então líder da
Creative Artists Agency. Gates construía as bases do casamento entre o software dos
computadores pessoais e a indústria de entretenimento. Estamos interessados em nos
juntarmos a qualquer pessoa que tenha ideias de como a tecnologia se poderá unir ao
conteúdo, disse Gates à revista Forbes. Acontece que muitas dessas pessoas
estão em Hollywood.
Bill Gates estudou também opções com a Tele-Communications, Inc. (TCI), e o
conglomerado de entretenimento Time Warner. A TCI era a maior empresa de cabo da América,
com 10 milhões de clientes em 49 estados. A Time Warner vinha em segundo, com sete
milhões em 36 estados. Juntas, estas empresas serviam 30% dos lares. Adicionalmente, a
Time Warner possuía uma vasta biblioteca de filmes. Juntamente com a Microsoft, estas
três empresas negociavam para construírem a Cablesoft, uma empresa de televisão
interactiva. A Microsoft podia desenvolver software inovador, mas precisava dos outros
para o distribuir.
Em meados de 1993 dúzias de experiências estavam a ser feitas para testar o interesse do
consumidor nos serviços das auto-estradas da informação, incluindo um projecto piloto
da Time Warner na Florida. A questão que se punha era se as pessoas queriam realmente
interagir com as suas televisões. Em Cerritos, Califórnia, por exemplo, apenas 350 em
7200 subscritores da televisão por cabo se inscreveram numa experiência interactiva.
A Microsoft decidiu, por fim, abandonar a ideia da Cablesoft. Um dos obstáculos decisivos
foi o facto de a Time Warner pretender metade da sociedade e de Gates não querer perder
muito controlo.
A Microsoft continuou a explorar o conceito de televisão interactiva. A Internet não era
ainda uma prioridade. Nessa altura, só pessoas especializadas sabiam como utilizar a
Internet.
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Outros, porém, não deixaram escapar as oportunidades proporcionadas pela tecnologia da
Internet. O que faltava a esta tecnologia era um browser fácil de usar. Em 1992
estudantes e programadores da Universidade de Illinois, em Urbana Campaign, começaram a
trabalhar na criação de um browser para utilizadores não técnicos que apresentasse
imagens e texto. Um dos membros deste grupo de desenvolvimento do National Center for
Supercomputing Applications (NCSA) da Universidade era Marc Andreessen, especializado em
ciência informática. Não demorou muito até que Andreessen e os seus companheiros
alcançassem o sucesso e logo no início de 1993 nasceu o browser Mosaic. Em Dezembro do
mesmo ano, Andreessen completou os seus estudos e foi trabalhar para uma empresa em Palo
Alto, Califórnia, como programador de software de segurança para transacções através
da Internet. Dois meses depois, recebeu um e-mail (correio electrónico) do então
presidente e fundador da Silicon Graphics (SG), Jim Clark, que lhe perguntava se estaria
interessado numa joint-venture. A empresa produzia simulações de gráficos em três
dimensões, tão reais que foram depressa popularizados em filmes como Parque Jurássico.
Durante os meses em que Andreessen e Clark se mantiveram em contacto, estudaram uma série
de opções, entre elas o desenvolvimento de software para a televisão interactiva e a
produção de uma rede Online para a empresa de jogos de computador Nintendo. Finalmente,
decidiram criar outro browser fácil de usar para competir com aquele do NCSA.
No dia 4 de Abril de 1994, Clark e Andreessen fundavam a Mosaic Communications
Corporations em Mountain View, Califórnia. Clark contribuiu com cerca de 748 mil contos
do seu bolso e conseguiu que os investidores de capital de risco Kleiner Perkins Caufield
& Byers subscrevessem o fardo da fundação. Clark recrutou alguns dos seus amigos da
SG e alguns colegas de Andreessen do grupo de trabalho que dera origem ao Mosaic.
A 14 de Outubro de 1994, a nova equipa estava pronta a testar a versão experimental do
seu primeiro browser na Internet. O Mosaic Navigator era distribuído de graça a qualquer
pessoa que quisesse fazer o download (descarregar para o computador). A estratégia era
fazê-lo chegar ao maior número possível de computadores. Os utilizadores que
pretendessem usufruir do serviço de apoio ao cliente poderiam adquirir o software
necessário por pouco mais de 18 contos. Mas o dinheiro vivo viria da venda de software
Web-server a empresas que quisessem negociar através da Internet.
Entretanto, a Universidade de Illinois licenciara a sua versão do browser Mosaic à
Spyglass, um fornecedor de produtos e serviços da Web. Quando esta empresa e a
universidade souberam que a Mosaic Communications estava a dar um produto quase igual ao
delas e com o mesmo nome ameaçaram entrar em litígio.
Em finais de 1994 Clark concordou em mudar o nome da empresa de Mosaic para Netscape e em
pagar uma indemnização à escola de Illinois. Este contratempo não deteve, porém, o
rápido crescimento da empresa. Em Janeiro de 1995 a Netscape tinha já negociado com a
MCI Communications para oferecer software de acesso à Internet. Na Primavera contava com
200 pessoas. Melhor ainda: através da oferta de cerca de 5 milhões de cópias do seu
browser Navigator durante seis meses, a Netscape arrecadara cerca de 70% do mercado dos
browsers.
Em Agosto de 1995 a Netscape entra para a bolsa: apenas no primeiro dia o preço das
acções atingem 10,8 contos. Em quatro meses as acções sobem para 31,9 contos. A
Netscape já dominava um mercado; um mercado no qual a Microsoft ainda nem sequer tinha
entrado.
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Em 1993, a Microsoft tinha alguns projectos relacionados com a Internet. Estava a
desenvolver um produto de e-mail e groupware, o Microsoft Exchange. Os programadores
trabalhavam num servidor para ligar a Microsoft à Internet. A empresa havia também
negociado com a CompuServe, que patrocinava um fórum de apoio Online. Nesta altura, com a
America Online (AOL) e a Prodigy, a CompuServe era uma das três maiores empresas de
serviços Online. Reconhecendo a importância de ter o seu próprio serviço Online, a
Microsoft tentava comprá-lo. Quando as negociações falharam, começou a trabalhar no
sentido de o desenvolver ela própria.
Inicialmente, o serviço fornecido pela Microsoft assemelhava-se ao da Prodigy, mas, como
não se adaptava bem ao Windows, foi abandonado. A adaptação de um serviço Online ao
Windows era complicado, pois a Microsoft tinha planeado aliar o serviço ao Windows 95 na
sua estreia, então marcada para Junho de 1994.
O serviço tinha como objectivo oferecer publicações relacionadas com a informática,
e-mail e boletins informativos e era originalmente destinado a especialistas. Foi em
Novembro de 1993 que a equipa da Microsoft começou a redesenhá-lo para os consumidores
em geral, denominando-o Microsoft Network (mais tarde chamado MSN).
Algum tempo antes, em Setembro, Gates recrutou o ex-executivo da Microsoft Rob Glaser para
o aconselhar relativamente ao Microsoft Network. Glaser acreditava que a Microsoft devia
desenvolver uma arquitectura padrão em vez de outro serviço Online desconectado. Nessa
altura, cada serviço Online era uma entidade separada; cada um tinha a sua maneira de
browsing e de transmitir informação e a sua própria infra-estrutura de clientes e
servidores. A única troca entre serviços processava-se através de e-mail. De outra
forma, nada se ligava a nada.
Glaser considerava que o futuro estava nas mãos de quem desenvolvesse uma arquitectura
padrão que ligasse todos a tudo. Falou à equipa da Microsoft Network acerca da
popularidade crescente da Internet e tentou mesmo que se fizesse uma experiência, mas
estava continuamente a perder a ligação à rede e acabou por desistir. Não convencida,
a equipa continuou a trabalhar no serviço Online.
Existiam, no entanto, algumas pessoas na Microsoft rendidas aos encantos da Internet. Em
Janeiro de 1994, o director do projecto, James Allard, distribuiu um memorando aos
gestores da empresa, sugerindo que esta criasse um browser. No mês seguinte o assistente
técnico de Bill Gates, Steve Sinofsky, falou com Gates acerca da importância da Internet
e chegou mesmo a dar ao seu chefe uma demonstração de como navegar na Web. Sinofsky
sabia que os estudantes estavam já a aderir à Web e que era apenas uma questão de tempo
até que o público em geral se tornasse igualmente qualificado.
Bill Gates estava, aos poucos, a ficar convencido da importância da Internet. Mas ainda
não conseguia ver o seu potencial para gerar dinheiro e estava preocupado que a
tecnologia representasse uma ameaça à segurança da Microsoft. Devido a estas
preocupações, apenas dois dos 30 mil computadores da sua empresa estavam ligados à
Internet. Para além disso, os empregados da Microsoft tinham de obter a permissão dos
gestores para fazer o download de ficheiros da Internet e enviá-los a outras pessoas.
Empurrado por Sinofsky, Gates reuniu com a gestão sénior da empresa em Abril para
discutir a Internet e o caminho que a empresa devia seguir. Nessa reunião Sinofsky
apresentou um relatório de 300 páginas sobre a Internet e como devia a Microsoft
responder.
Esta reunião representou o ponto de viragem para a Microsoft e o seu chefe executivo. Uma
semana depois Gates escreveria um memorando acerca da estratégia da empresa face à
Internet: Queremos e vamos investir recursos para nos tornarmos líderes no apoio à
Internet.
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No Outono de 1994, o número de pessoas a utilizarem a Internet crescia a uma taxa de
10% por mês. O número de sites comerciais na Web crescera de 50 para 10 mil desde
Janeiro de 1993. O segredo para ter acesso a todos estes sites estava num browser, e as
empresas faziam fila para comprar essa tecnologia. Todos os três melhores serviços
Online compraram tecnologia de browser neste ano. A IBM decidiu inserir um browser no seu
sistema operativo. E a Netscape Communications anunciou que o seu browser daria acesso à
Internet a partir de Janeiro de 1995.
Os executivos da Microsoft calcularam que a empresa levaria de seis meses a um ano a
desenvolver o seu próprio browser. Ao invés, a compra de um browser atrasaria o seu
desenvolvimento em meses.
Ansiosa por apanhar as suas concorrentes, que já levavam um grande avanço na corrida, a
Microsoft começou a negociar com a Spyglass, que tinha licença para vender o browser
Mosaic desenvolvido pela Universidade de Illinois. A Spyglass concordou em vender os
direitos de licença e de distribuição à Microsoft por 374 mil contos. No entanto, o
acordo restringia o uso do browser ao Windows 95 e ao Windows NT. O negócio foi
finalmente selado em Dezembro de 1994.
Em Novembro, enquanto decorriam as negociações com a Spyglass, Gates anunciava que a
Microsoft estava a desenvolver o Microsoft Network, para ser inserido no pacote do Windows
95. Embora o Windows 95 não estivesse ainda no mercado em finais de 1994, os analistas da
indústria previam que o sistema poderia ter já 20 milhões de subscritores no final de
1995. Estas previsões preocupavam a concorrência, que defendia que os planos para
lançar pacotes de produtos representavam uma forma de concorrência desleal, já que
qualquer pessoa que possuísse o Windows 95 teria acesso automático ao site da Microsoft.
Gates rejeitou as acusações. Nós não vemos isto como alguma forma de
concorrência desleal, disse. Se estão a falar de dividir o mercado, então
será um mercado pobre para todos nós.
Os rivais enfurecidos não representavam o único problema a ser enfrentado por Gates. A
equipa que trabalhava no Microsoft Exchange, o serviço de e-mail da empresa, cedo viram
que este não iria funcionar com o Microsoft Network, pois não fora concebido para o
número tão grande de servidores necessário para lidar com milhões de clientes. Os
programadores tiveram de conceber um sistema novo.
Adicionalmente, a empresa necessitava chegar a um acordo com uma empresa de cabo que
tivesse possibilidades de distribuir vídeos e gráficos mais depressa do que as linhas
telefónicas. A Microsoft recorreu assim ao seu antigo aliado a TCI , com a
qual continuara a desenvolver projectos de televisão interactiva.
Já no início de 1995, a Netscape estava a estabelecer os padrões para o mundo da
Internet e a Microsoft estava ainda a lutar. Com um estilo muito próprio da Microsoft
se não os consegues vencer, compra-os , Gates propôs comprar a
Netscape. Falhada a tentativa, Gates propôs assim comprar 20% da empresa. Mas mais uma
vez a Netscape recusou.
A Microsoft estava numa posição de real desvantagem. O browser da Netscape funcionava em
ambos os sistemas Macintosh e Windows 3.1, o mais famoso sistema operativo do mundo. O
acordo da Microsoft com a Spyglass não permitia, porém, que a empresa usasse o browser
com qualquer daqueles sistemas operativos. Para modificar o seu browser, a Microsoft
necessitava de obter um novo acordo de licenciamento com a Spyglass. Nesse mesmo Verão as
empresas voltaram à mesa de negociações.
Em Maio de 1995, Gates anunciou aos seus funcionários que considerava a Internet como o
mais importante desenvolvimento na área dos computadores desde a invenção do computador
pessoal da IBM. Esta informação chegou propositadamente às mãos da comunicação
social. Gates queria fazer chegar à boca do mundo que a Microsoft era um competidor no
duro jogo da Internet.
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A prioridade de Gates era, no entanto, fazer chegar o Windows 95 ao mercado. Com
estreia planeada para o Verão de 1994, o sistema não estava completamente desenvolvido
até ao Verão do ano seguinte. Finalmente, em Agosto de 1995, o sistema foi lançado em
ambiente festivo. Os clientes que haviam esperado ansiosamente o Windows 95 eram muito
mais cautelosos em usar o Microsoft Network, (MSN), que estava aliado ao novo sistema,
para aceder à Net. No Outono, o sistema tinha menos de 500 mil clientes, comparados com
os mais de 3,5 milhões da AOL. Os subscritores reclamavam que o MSN era muito lento.
Levaria mais um ano até que a Microsoft reinventasse, com sucesso, o MSN para a Web.
Vender vários produtos num só continuava a causar controvérsia. Os clientes do Windows
95 reclamavam que o sistema não iria funcionar com browsers da concorrência. Entretanto,
a Microsoft rejeitava as acusações de que deliberadamente programara o seu software para
rejeitar os browsers rivais. Apesar das reclamações, as vendas do Windows 95 geraram
lucros enormes. Os lucros do terceiro trimestre registavam uma subida de 58% em relação
ao ano interior.
Em Novembro a empresa foi retirada da lista de compra recomendada pela Goldman Sachs. A
razão: a estratégia para a Internet da Microsoft deixava para trás a concorrência. Na
verdade, a Microsoft tinha ainda de anunciar publicamente a sua estratégia para a
Internet.
Quando Goldman Sachs falava, o mercado ouvia. O valor das acções da Microsoft baixou 5%.
A comunicação social também questionava os planos de acção de Gates. Quando um
repórter sugeriu, no início de Novembro, que a Microsoft tinha chegado tarde à corrida
pela Internet, Gates respondeu: Quem sabia que a Internet viria a ser algo tão
grande? Se conseguirem encontrar essa pessoa, coroem-na.
Em Dezembro, a Microsoft fez os últimos acabamentos à sua estratégia da Internet.
Primeiro, assinou um novo acordo com a Spyglass, que lhe permitia desenvolver browsers
para o Windows 3.1 e para o Macintosh. Depois, assinou um acordo com a Sun Microsystems
para obter licença do software Java, que fazia páginas da Web através de efeitos
visuais e de áudio melhorados. A Netscape já tinha obtido licença do Java.
A 7 de Dezembro Gates realizou um workshop de um dia inteiro para analistas da indústria
e comunicação social, no qual anunciou publicamente a estratégia da Microsoft
relativamente à Internet. O acontecimento representou uma boa oportunidade para Gates
dizer aos seus rivais que eles tinham acordado um gigante adormecido. Durante
a workshop, revelou a sua intenção de inicialmente dar o browser da Microsoft de graça.
Eventualmente, disse, seria incorporado no sistema operativo do Windows. O Microsoft
Network seria redesenhado como um site e não como um serviço isolado.
Durante 1996 a empresa continuou a adicionar força à sua estratégia da Internet. Quando
a empresa lançou o seu browser Internet Explorer 3.0, em Agosto, muitos na indústria
disseram que era tão bom, ou talvez ainda melhor, do que a última versão do Netscape
Navigator. Entretanto, a Netscape reclamou junto do Departamento de Justiça. Alegava que
a Microsoft estava a oferecer descontos aos fabricantes de computadores que instalassem o
Explorer em vez dos browsers rivais. No fim do ano, a CompuServe, a AOL e a Prodigy já
tinham seleccionado o Explorer como os seus browsers para um total de 15 milhões de
clientes.
Logo no início de 1997 a liderança da Netscape no mercado dos browsers baixou para 58%,
enquanto a Netscape via a sua quota a crescer para 38%. Embora a partida fosse tardia, a
Microsoft conseguiu dar fantasticamente a volta aos resultados na corrida pelo
ciberespaço.
Em 1990, Bill Joy, um dos fundadores da Sun, previu que em 1997 uma tecnologia nova e
maravilhosa transformaria a indústria informática e marcaria o fim do domínio da
Microsoft. Joy estava certo quanto à tecnologia, mas errado em relação à Microsoft. A
empresa nascida da revolução dos computadores pessoais tinha conseguido uma reviravolta
completa para dar resposta a um novo desafio a Internet. Assim como a IBM, a
Microsoft podia ter ficado para trás. Mas com Bill Gates na liderança, cujo desejo de
ganhar e medo de perder o compelem não só a vencer os seus competidores mas a
destruí-los, o domínio da Microsoft parece seguro nos próximos tempos.
Por que Bill Gates se senta no banco dos réus? |
| Bill Gates é o alvo na mira de Janet Reno, a
secretária de justiça norte-americana, que dá voz aos medos e devaneios dos principais
concorrentes da Microsoft. O império de software de Gates é acusado de práticas
monopolistas, ao exigir que os fabricantes do Windows 95 pré-instalem o Internet Explorer
3.0, o navegador da Internet da Microsoft, limitando, assim, as opções dos consumidores
relativamente ao acesso ao ciberespaço. Entende-se que Gates quebrou o acordo de 1995, o qual proibia a Microsoft de associar o seu software exclusivamente a programas por ela desenvolvidos. No entanto, este acordo é também claro ao não proibir que a Microsoft não desenvolva sistemas integrados. É neste aspecto que reside a contestação de Bill Gates às alegações do Departamento de Justiça o Windows 95 e o Internet Explorer 3.0 são considerados por este génio da informática como um sistema operacional integrado. Os argumentos de Gates não sensibilizaram as partes interessadas em ver a Microsoft em maus lençóis. Reno pediu aos juízes que decretassem uma multa de 187 mil contos diários, o que, mesmo para uma empresa do tamanho da Microsoft, deixaria sequelas. A 11 de Dezembro do ano passado, o juiz federal Thomas Jackson proibiu que a Microsoft obrigasse os fabricantes a associar o Internet Explorer ao Windows 95. Mas, não só eles continuarão, de livre vontade, a instalar o navegador da Internet, como a mais recente versão do Windows 95, defende Gates, é indissociável daquele programa de acesso à Web. Ou seja, o Windows sem o Internet Explorer que irá ser distribuído terá, no mínimo, dois anos. A 13 de Janeiro deste ano, o Departamento de Justiça abriu um inquérito para saber se a Microsoft está a obedecer à ordem do tribunal. A 22 de Janeiro de 1998, o Departamento de Justiça anunciou que as duas partes envolvidas tinham chegado a um acordo parcial. Os fabricantes do Windows 95 ficam autorizados a retirar o ícone do Internet Explorer daquele sistema operativo. Mas Gates enfrenta ainda a possibilidade de pagar a referida multa por ter violado o acordo de 1995. Prevê-se que a próxima mina de ouro da Microsoft, o Windows 98, levantará também problemas com a justiça, já que serão lançadas duas versões: numa a ligação entre o software e o programa será ainda mais estreita e noutra o Internet Explorer não será pré-instalado. A revista brasileira Veja levanta uma questão que não pode ser ignorada: por que terá sido a Microsoft a empresa escolhida como alvo de uma acusação de monopólio enquanto empresas como a Intel, a Cisco e a IBM, por exemplo, dominam também de 70% a 80% dos seus mercados? A resposta que dá esta publicação é que a Microsoft é a única que incomoda seriamente as suas concorrentes Gates possui um poder demasiado assustador. A revista britânica semanal The Economist também responde prontamente: a Microsoft foi escolhida para servir de cobaia à nova geração de reguladores antimonopolistas, que querem redefinir as regras. Adianta ainda a Veja que a Microsoft está a servir a necessidade da secretária de justiça, Janet Reno, de fazer jus à sua fama de durona no mundo dos gigantes. Seja qual for a decisão final do tribunal, que apresentará um relatório mais detalhado em Maio deste ano, o caso já está a deixar marcas. Bill Gates e a Microsoft geram emoções e sentimentos mistos, que dividem opiniões. Mas uma certeza é clara para todos amantes e inimigos , Bill Gates não será facilmente derrotado. _____________________ Por:Cíntia Sakellarides |
Gates descreve como será o estilo de vida Web |
| Não
consideramos o telefone, a televisão ou o carro como coisas fora do comum. Elas
tornaram-se uma parte tão integrante das nossas vidas que nem sequer as notamos. Do mesmo
modo, dentro de uma década, ninguém achará necessário comentar a presença da World
Wide Web. Uma transformação deste tipo está ligada a gerações diferentes. As pessoas mais velhas são obrigadas a aprender algo novo, que não faz parte de sua experiência quotidiana, e as crianças que crescem com uma nova tecnologia tratam-na como algo garantido. Aproximadamente 22 milhões de adultos americanos já usam a Web. Cerca de metade deles tem acesso à Internet pelo menos uma vez por dia. A gama de actividades disponíveis na Web está-se a ampliar a um ritmo extraordinário. Praticamente não existe nenhum tópico para o qual não se encontre material interessante na Web. Muitos desses sites recebem um fluxo excelente de tráfego. Onde vamos encontrar tempo para conviver com a Web? Nalguns casos as pessoas vão poupar tempo porque a Web vai tornar algumas tarefas mais eficientes. Noutros casos, as pessoas vão trocar o tempo que hoje gastam a ler o jornal ou a ver televisão pela informação e pelo entretenimento que podem encontrar no ecrã do computador. Essa tendência vai evidenciar-se em 1998. Um grande benefício da Web é que ela permite-nos passar informações que hoje residem no papel para o formato Online. Você pode requerer licenças diversas ou enviar formulários para licenças comerciais, tudo pela Internet. Alguns estados americanos já estão a divulgar listas de empregos na Web. Acredito que, com o passar do tempo, todas as informações que os governos imprimem e todos os formulários de papel com que hoje trabalham serão transferidos para a Internet. O comércio electrónico também cresce em cada mês que passa. É difícil medi-lo porque boa parte se dá entre compradores e vendedores já existentes, que estão apenas a transferir para a Web as suas transacções. Nesse caso, não são negócios novos. A Microsoft, por exemplo, compra Online computadores pessoais no valor de milhões de dólares, em vez de usar papel nas transacções. Mas essa não é uma mudança fundamental. Ela apenas aumentou a eficiência de um processo que já existia. O maior impacte ocorreu nos casos em que o comércio electrónico uniu compradores e vendedores que, de outro modo, não se teriam conhecido. Hoje cerca de metade dos computadores pessoais ainda não está ligada à Web. Esses usuários vão entrar na Web quando os custos da comunicação caírem e os softwares forem simplificados. Aí estaremos mais perto de generalizar o estilo de vida Web. Um factor que as pessoas costumam subestimar é o grau em que o hardware e o software vão melhorar. Basta analisar um aspecto: a tecnologia dos ecrãs. Eu escrevo as minhas mensagens de correio electrónico num monitor de cristal líquido de 20 polegadas. Esses ecrãs ainda não existem a um preço razoável, o que acontecerá dentro de dois anos. A fronteira entre o televisor e o computador pessoal vai-se tornar menos nítida, porque mesmo aquele televisor comum que você liga ao cabo ou ao satélite terá um processador mais potente do que aquele encontrado hoje nos computadores mais caros. O seu televisor vai-se transformar num computador. A interacção com a Web também vai melhorar, facilitando em muito o envolvimento das pessoas com a rede. Hoje as palavras-chave que usamos para realizar buscas na Web resultam muitas vezes num excesso de artigos, que somos obrigados a examinar um a um. Muitos não se encaixam no contexto que buscamos. Se quer informações sobre o chip de computador mais veloz disponível no mercado, pode receber respostas sobre batatas fritas (potato chips). No futuro, vamos falar ou digitar frases inteiras no computador. Se você perguntar sobre a velocidade dos chips, o resultado dirá respeito a computadores, não a batatas. Com o reconhecimento de voz, você vai poder ligar para um telefone para verificar se recebeu novas mensagens, para fazer o check-in num voo ou para saber como estará o tempo. Prever que essas mudanças levarão 10 anos para se concretizar é ser-se bastante pessimista. Costumamos sobrestimar o que somos capazes de fazer em 2 anos e subestimar o que podemos fazer em 10. A Web será um modo de vida até ao ano 2008 provavelmente até antes disso. __________________________________________________________ Condensado de Exame (Brasil). © 1998 by Editora Abril. Todos os direitos reservados. |
O que se diz sobre Bill Gates e a Microsoft |
| Depois de Diana, a malograda Princesa do
povo, Bill Gates é das pessoas que mais empresta o seu rosto às capas das revistas
de todo o mundo. A imprensa tenta desvendar as razões do seu sucesso, a forma como gere o
seu império e revelar as pessoas que o apoiam na tarefa titânica de comandar o maior
império de software do mundo. O processo judicial movido pela secretária de justiça norte-americana, Janet Reno, e o investimento de 27,6 milhões de contos para salvar a Apple têm alimentado ainda mais a curiosidade acerca da Microsoft e do seu presidente. A edição de 27 de Janeiro de 1997 da Forbes revela que, sem Steve Balmer, Gates não seria tão rico. Apresenta um perfil do alter ego de Bill Gates e desvenda quem são os outros cinco generais no terreno. A edição de 26 de Maio de 1997 da Fortune conta que Gates quer todo o seu negócio e está a consegui-lo. Esqueça a Internet. Esqueça MSNBC. O Windows NT, o novo software para redes empresariais de Bill Gates, será o verdadeiro futuro da Microsoft. Em Dezembro do ano passado a revista norte-americana voltava a dar a capa à Microsoft, contando que Bill Gates estava a contratar os melhores cientistas do mundo. O seu objectivo: controlar o futuro. As edições mais recentes, como a Business Week de 19 de Janeiro de 1998, começam a interrogar-se até onde irá Bill Gates, quando parará a sua ambição. Escreveram-se também muitas obras acerca do menino que gostava de computadores e se tornou o homem mais rico do mundo, como a biografia Hard Drive. Em Microsofts Secrets e The Microsoft Way desvenda-se a forma como Gates gere o seu império. A não perder também The Road Ahead (Rumo ao Futuro), o best-seller assinado por Bill Gates, cuja edição mais recente, revista e actualizada, inclui um CD-Rom interactivo. |
Condensado de Overdrive Bill Gates and the Race to Control Cyberspace, de James Wallace. © 1998 by John Wiley & Sons. Publicado com a permissão de John Wiley & Sons. Todos os direitos reservados. Adaptado por Cíntia Sakellarides.